sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

sobre a saudade

o ponteiro do relógio dava voltas, o tempo não. era um desânimo, uma lerdeza, uma pressa, uma urgência... era saudade. o silêncio falava alto no peito daquela moça - não calava um só instante; enquanto o momento tentava, incansavelmente, fugir da lembrança pra acontecer outra vez e não conseguia.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

sobre a decepção

decepção é quando alguém faz um desenho bonito e outra pessoa risca.

domingo, 26 de dezembro de 2010

sobre encontros marcados pelo destino

num encontro marcado pelo destino, eles se conheceram. um só encontro foi suficiente para que os olhos alheios aprendessem a falar a mesma língua - por isso, naquela noite, o silêncio bastaria.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

sábado, 18 de dezembro de 2010

sobre ganhar uma mulher

dizem que pra ganhar uma mulher é preciso ter carro caro, família rica e sobrenome estrangeiro. é mentira. pra ganhar aquela moça, por exemplo, basta ter o sorriso desconcertante.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

sobre ler pensamentos

todos os dias a moça se perguntava como aquele rapaz conseguia lhe roubar as palavras, antes de serem ditas. talvez ela tenha esquecido que quem deu o super-poder de ler seus pensamentos ao rapaz, foi ela mesma - que não o tirava da cabeça um só instante.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

sobre brigar

depois daquela briga, ele resolveu apagar a moça da sua cabeça e do seu coração, então desejou que ela saisse da sua vida na mesma velocidade em que entrou, desejou todo o mal do mundo - porque só a vendo triste, conseguiria ser feliz. mas a moça não via graça na desgraça do rapaz e como era incapaz de desejar o mal, chorou.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

sobre palavras-canivete

a moça só queria que ele falasse coisas bonitas, mas o que ouviu foram palavras-canivete - que lhe cortaram o coração.

domingo, 5 de dezembro de 2010

sobre o espantalho

o espantalho não quer assustar as aves, só quer um abraço.

sábado, 20 de novembro de 2010

sobre a inspiração

a moça tinha papel e caneta, mas não tinha inspiração. sem ela, toda tentativa de escrever é falha - porque inspiração é o que dá cor à tinta da caneta do poeta. e de que adiantava escrever num papel em branco se a tinta da caneta era transparente?

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

sobre o gosto do beijo

seu beijo tem gosto de que? o meu tem o sabor das palavras - porque para não esquecê-las, trago-as sempre na ponta da língua.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

sobre a noite de insônia

uma noite de insônia é só a vontade que a madrugada tem de ser infinita; tic tac e o tempo não passa.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

sobre fingir

mas se até o regador finge ser chuva num dia de sol, por que eu não posso fingir um sorriso quando estou triste?

domingo, 7 de novembro de 2010

sobre perceber se é paixão

quando identidade, individualidade e poder de raciocínio tiram férias, significa que você está apaixonado.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

sobre querer se apaixonar outra vez

eu só queria a felicidade de me apaixonar outra vez - o coração tenta, mas o cérebro não deixa.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

sobre a força do olhar

quando ele me olhava, seus olhos me sugavam com toda a força e era necessário que eu me agarrasse bem ao que tivesse por perto - porque eu tinha medo de cair e me perder dentro dele, medo de não querer mais voltar.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

sobre a felicidade

e quando a moça estava feliz, os olhos ficavam com inveja da boca e sorriam também! o mundo ao redor parecia passar tão devagar que era como se a câmera lenta da vida real estivesse ligada especialmente para gravar a luz do instante na eternidade; porque felicidade é o agora que não tem pressa.

sábado, 16 de outubro de 2010

sobre o olhar triste

- o que aconteceu? seu olhar me diz que você tá triste...
- você é muito boba, olhos não falam.

o silêncio reinou por alguns instantes; então a moça o abraçou e disse:

- não chora mais, tá?
- eu não estou chorando!
- mas o seu coração está, você sabe.
- ...e você, como sabe?
- os olhos são os tradutores da linguagem do coração: se o olhar tá triste, o coração tá chorando.
- mas como...
- shh! eu te entendo. o meu coração chorou por muitos anos; você não pode permitir que o seu chore tanto tempo assim, permita que conheça corações mais alegres e pinte, junto com eles, um mundo menos gris.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

sobre sentir-se só

ficar sozinha era ruim, mas sentir-se sozinha era pior ainda; então todos os dias ela gritava o mais alto que podia com esperanças de que alguém, em algum momento, pudesse ouvir e seguir o som - porque naquela casa, a única companhia da moça era o silêncio. o silêncio que entristecia seu coração e a fazia chorar lágrimas que manchavam seu rosto de tristeza.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

sobre a feiura do mundo

o mundo só parece feio porque as pequenas notícias não aparecem nos jornais. o abraço de saudade que a moça deu em seu amor não é publicado, a morte é - porque jornalistas escrevem sobre isso. mas e sobre o abraço, a saudade e o amor, quem escreve? os poetas - especialistas em ver beleza na simplicidade.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

sobre perder alguém

na vida de todas as pessoas há uma família opcional, composta por amigos. quando uma dessas pessoas vai embora, leva consigo um pedacinho de nós - pedacinho que pra sempre ficará vazio de gente, mas cheio de boas lembranças. deixe estar. as flores e o céu confortarão o coração aos poucos; até a dor da perda converter-se em saudade. saudade que não mora no peito e só aparece de visita.

domingo, 3 de outubro de 2010

sobre o amor fugir

e o amor parecia fugir sempre que a via por perto; mas por que ele fazia isso? porque só tem amor quem é digno de ser escolhido por alguém.

sábado, 2 de outubro de 2010

sobre escrever

algumas pessoas escrevem pela arte e acabam criando grandes obras. admiráveis. eu não; escrevo pra encurtar distâncias, pra disfarçar a timidez, pra expressar o sentimento sem medo de gaguejar na hora h - porque a borracha me livra desses constrangimentos; a fala, não.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

sobre mentir

- me diz o que houve, por favor.
- não aconteceu nada. eu juro.

(…) e mentir foi a melhor forma de tentar mudar o foco dos olhares atentos. fingir um sorriso, ainda que torto, foi fácil; difícil foi o coração acreditar que eu estava mesmo fazendo aquilo, por isso me castigou - e foram infinitos minutos de silêncio e solidão em meio à multidão que sorria e festejava.